É possível falar em carreira de advogado?

Segundo dados da OAB somos cerca de 750.000 advogados no Brasil e a cada ano por volta de 70.000 novos profissionais ingressam no mercado.

Em números absolutos só perdemos para os Estados Unidos e Índia, respectivamente.

Com um mercado com esta efervescência e concorrência, pode-se afirmar sem medo que a carreira na advocacia é promissora.

Quando falamos em carreira pensamos em planos, metas, projetos. E por isso a questão no título: é possível falar em carreira de advogado?

A advocacia é uma atividade sui generis.

Segundo a Constituição Federal trata-se de atividade indispensável à administração da justiça, ou seja, é essencial ao desenvolvimento e desempenho da atividade do Poder Judiciário.

Porém, é uma atividade privada.

Quando o advogado trabalha em um grande escritório, que funciona como uma empresa, esta visão de carreira é mais óbvia, mais simples.

Mas e quanto ao advogado que atua como profissional liberal? Que desenvolve sua atividade de forma autônoma, sem qualquer vínculo ou garantia, sem a chamada estabilidade? Como planejar seu futuro como advogado? Como estabelecer metas e conseguir cumpri-las?

É uma equação interessante, pois exercemos atividade privada, que é de interesse público, e que conta com controle e limitações do Código de Ética que nos impede de atuar como qualquer outra atividade mercantil privada, até mesmo porque a advocacia não é uma atividade mercantil.

Por isso não tenho como responder à pergunta, mas aceito sugestões e abro o debate para futuras postagens.

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Eleições na OAB

Está em alta discussão entre os advogados a próxima eleição para dirigentes da OAB, que ocorrerá em 24/11/2012.

Aqui em Passos (subseção) são duas chapas, mesmo número da Seccional (estadual).

Já externei minha opinião de que a maioria dos advogados não tem noção exata do que seja a advocacia (leia aqui).

Embora tenha me mantido fora das discussões e das chapas, tenho acompanhado o processo e acho que o momento é oportuno para algumas mobilizações.

Esta movimentação que se vê atualmente (banners, propaganda no jornal, contato incessante na internet, etc.), não é usual e é naturalmente provocada pela disputa eleitoral.

Porém, ganhar a eleição não é o mais importante. Aliás, isso é muito fácil, e se for este o móvel de qualquer dos candidatos, nós, os advogados, não sairemos do lugar.

Tem muita coisa a ser feita, mas não vamos nos iludir que todos os problemas vão ser resolvidos e que vamos voar em céu de brigadeiro.

Não me iludo com promessas de campanha, e ainda mais promessas mirabolantes, de que em um curto espaço de tempo vão mudar as coisas.

É como se acreditasse que no dia seguinte que A ou B estivesse no comando a “coisa agora vai!”.

Acredito sim em vontade política, espírito de doação, vocação para o serviço, e, sobretudo, coragem para colocar as coisas nos devidos lugares.

Não conheço um advogado que esteja satisfeito com a forma de exercício da profissão e demais questões correlatas (condições de atuação nos fóruns, remuneração, férias, etc.).

Portanto, o que falta para nos unirmos?

A classe é desunida e isso decorre um pouco da natureza combativa da profissão, e muito mais pela realidade do mercado e da concorrência.

Penso que o mais importante é que a chapa vencedora consiga ao menos reunir os advogados para um debate, para uma conversa, que se ouça as reclamações, os anseios, e assim, de forma planejada, ordenada e corporativa se busque a solução destas demandas.

Ganha o advogado. Ganha a sociedade.