Dica de filme: Antes que termine o dia

Determinados filmes ficam melhores com o tempo.

Ou antes, a nossa visão da vida e experiências nos permitem fazer reflexões mais profundas sobre a mesma obra de arte que vimos anos antes, e por isso nos fazem pensar a vida e o viver.

Assim acontece com Antes que termine o dia, filme de 2002 que assisti novamente neste feriado de carnaval.

E é justamente por pensar em como vivemos distraídos das coisas essenciais, pensando mais em quantidade do que qualidade que decidi por esta dica de filme. Continuar lendo

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Dica de filme: Uma História de Amor e Fúria

Viver sem conhecer o passado, é viver no escuro

Sempre assisto a um filme tentando retirar não só a beleza da arte, mas também quais  interpretações são possíveis para melhorar minha visão de mundo e, consequentemente, melhorar a mim mesmo.

Quando foi lançado o filme Uma história de amor e fúria, gostei muito do trailer que até coloquei aqui. Mas somente agora que pude assistir ao filme e gostei muito.

É uma animação brasileira, contando a saga de Abeguar um guerreiro tupinambá que vivia no ano de 1566, durante o início da ocupação dos portugueses.

A historia se passa ao longo de 600 anos e recria alguns fatos marcantes da historia do Brasil. Durante este tempo ele reencontra a sua amada Janaína, renascida nas épocas que se passa a história, e como pano de fundo do romance, o longa de Luiz Bolognesi ressalta quatro fases da história do Brasil: a colonização, a escravidão, o Regime Militar e o futuro, em 2096, quando haverá guerra pela água.

Os personagens principais estão nas vozes de Selton Mello e Camila Pitanga.

Interessante uma opinião do diretor do filme,  pois sabemos muita coisa da história de outros povos, mas não sabemos quase nada da nossa própria história. E sem contar que a história oficial é contada sempre pelos olhos do dominante, peloqual os que são apontados como heróis nem sempre merecem este título.

O que pude perceber é que se não olharmos a história do Brasil, as nossas lutas como uma só história, interconectada e com uma finalidade, nunca conseguiremos de fato entender esta experiência que é estar vivendo no Brasil, neste momento grave e importante.

De fato, o guerreiro tupinambá recebe uma incumbência do pajé da tribo de lutar até que consiga implantar nesta terra uma morada de paz e justiça, e aponta um adversário poderoso (Anhangá) que lutaria pela manutenção do caos, da desordem e da injustiça.

E esta, caro leitor, não é a luta nossa travada todos os dias contra o sistema injusto e predador que vivemos hoje, para construção de um mundo de paz e justiça?

“Mesmo sem perceber todo dia a gente está lutando por alguma coisa”.

Assista ao filme, reflita e compartilhe sua opinião comigo.

Veja o trailer:

Dica de filme: Gandhi


Já que hoje (21/09) é o Dia Internacional da Paz nada mais propício do que o filme Gandhi.

Lançado em 1982, trata-se de uma obra prima do cinema que demorou 20 anos para ser concluída, e foi agraciada com 9 Oscar em 1983.

É um drama biográfico de Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como Mahatma (grande alma) Gandhi, que dispensa qualquer apresentação, o qual foi interpretado magistralmente pelo ator Ben Kingsley (que ganhou o Oscar de melhor ator).

O filme apresenta o jovem e idealista advogado Gandhi recém-formado na Inglaterra e que vai trabalhar na África do Sul. A sua expulsão da primeira classe de um trem inicia sua luta contra a discriminação racial, mas o leva a perceber que os problemas do povo indiano iam bem além disso, consistindo em extrema pobreza e exploração.

É impossível destacar um ponto alto do filme, que é marcado por cenas impressionantes como a do célebre massacre em Amristar, que chamou a atenção da opinião pública internacional sobre o problema, e a marcha até o mar para extração do sal, como direito do povo indiano.

Além da luta pela libertação da Índia do domínio britânico, é tocante a capacidade de unir hindus e muçulmanos em torno de um ideal, assim como é possível ver a intolerância religiosa que deu origem à divisão político-religiosa entre estes que culminou com a divisão da região em dois países, a Índia e o Paquistão.

Nada mais emblemático para falar em paz do que falar na vida de Gandhi, seus princípios e ideais que devem não só emocionar, mas influenciar as nossas vidas como exemplo a ser seguido.

Assista ao filme, reflita e compartilhe sua opinião comigo.

Veja o trailer:

O Impossível

Quando as coisas perdem o valor relativo que têm?

E quando as coisas que têm importância para nós não servem para nada?

Dinheiro?

Emprego?

Reuniões?

Bens?

Meus direitos?

Acabei de assistir a um filme sensacional, que nos leva a refletir sobre os valores que realmente importam na nossa vida, a sensação de impotência quando não temos mais a quem recorrer.

É o filme “O Impossível”, de 2012.

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A busca

Já escrevi aqui sobre como sinto a paternidade (relembre).

Há alguns anos presenciei uma situação e prometi para mim que não permitiria que acontecesse comigo.

Vi um pai que não tinha a menor ideia de quem era seu filho. E o filho já tinha cerca de 30 anos.

Deve ser frustrante você conviver com uma pessoa, e ter apenas uma noção idealizada, sem compreender a essência do outro, ainda mais quando este outro é seu próprio filho ou filha.

Compreendo a vida como uma viagem em busca do autoconhecimento, para um aperfeiçoamento constante.

Este “tornar-se melhor” passa necessariamente por um melhor relacionamento com as pessoas que convivem conosco.

E é surpreendente como pais e mães entendem que exercem esta função proporcionando coisas.

A entrega, a identificação, a transcendência do relacionamento valem mais do que qualquer bem material neste mundo.

Está em cartaz no Cine Roxy em Passos o filme A Busca, o qual assisti hoje (26/03, terça-feira).

Filme muito bom, denso, sensível e que nos faz pensar.

Aliás, a função da arte não é fazer pensar e refletir na vida que levamos?

É a história de um pai que busca um filho que desapareceu, mas na verdade é uma busca pela essência do próprio filho, que o pai ainda não tinha conseguido encontrar.

Entendi o filme todo como uma metáfora existencial.

Neste mundo complexo, nos iludimos com coisas, com “ter”, com parecer ser, e nos esquecemos de que o essencial continua invisível aos olhos.

Esta busca implica em uma viagem necessária ao nosso interior, confrontando fantasmas, medos, e descobrindo valores que importam de fato em nossa existência.

Às vezes tentanto ser pai, aprendemos a ser filho.

Brigar, apanhar, bater, sofrer, chorar, perder, encontrar, perdoar, tudo faz parte deste processo.

Enfim, aprender sempre, eis a questão.

Saiba mais sobre o filme aqui.

Veja o trailer aqui.

E se possível, vá ao cinema. Cultura faz bem e nunca sobra.