A música nunca parou

O que fazer quando perdemos o “endereço” de um coração amado?

Como reconectar com aquelas pessoas importantes e que por problemas diversos da vida e de relacionamentos nos distanciamos?

Gostaria de recomendar um filme que assisti: “A música nunca parou”, lançado em 2013 e que retrata a história verídica de Gabriel Sawyer, e que também foi contada no livro do escritor e neurologista Oliver Sacks.

Ambientado em 1986 o filme começa com a volta ao lar de um filho único que foi embora de casa há quase 20 anos por problemas de relacionamento com o pai. Este filho tem então 35 anos, tem um tumor no cérebro que lhe retirou toda a memória recente e que só tem possibilidade de se lembrar de fatos antigos, mas que estão ocultos em algum lugar. Continuar lendo

Anúncios

Dica de filme: Antes que termine o dia

Determinados filmes ficam melhores com o tempo.

Ou antes, a nossa visão da vida e experiências nos permitem fazer reflexões mais profundas sobre a mesma obra de arte que vimos anos antes, e por isso nos fazem pensar a vida e o viver.

Assim acontece com Antes que termine o dia, filme de 2002 que assisti novamente neste feriado de carnaval.

E é justamente por pensar em como vivemos distraídos das coisas essenciais, pensando mais em quantidade do que qualidade que decidi por esta dica de filme. Continuar lendo

Dica de filme: Um dia de fúria

um dia de fúria

É de voz corrente que o estilo de vida que adotamos e o sistema em que vivemos contribuem para uma vida estressante, e o culto ao “ter”, ao “parecer”, à inversão de valores adotada como correta retira qualquer sentido lógico do nosso viver.

William Foster (Michael Douglas) é um homem que está emocionalmente perturbado, em razão de estar passando por uma série de problemas que envolvem qualquer pessoa em nossa época: perdeu o seu emprego, está separado da esposa, não tem condições de pagar suas contas (sequer a pensão alimentícia da filha). Ele não consegue aceitar o fim de seu casamento.

Paralelamente a esta trama, Martin Prendergast (Robert Duvall) é um policial no seu último dia de trabalho antes de se aposentar, que praticamente abandonou sua vocação por causa de exigência da esposa, que também tem sérios problemas psicológicos ou psiquiátricos depois da morte da única filha do casal, ainda criança.

William Foster não resiste à pressão desta avalanche de problemas aliado às dificuldades de convivência de uma cidade grande e deixa toda sua agressividade vir à tona, tornando-se extremamente violento com situações que normalmente “deixaria passar”. E Martin Prendergast em seu último dia de trabalho decide arriscar a própria vida para deter este perigoso homem.

Esta a trama principal deste excelente filme, que tem uma das melhores atuações de Michael Douglas, um roteiro envolvente e sua temática continua cada dia mais atual, embora lançado em 1993.

Mas toda obra de arte deve nos trazer uma correlação com a nossa própria realidade: trabalhar para um sistema injusto, desigual e que a longo prazo insensibiliza quem nele acredita.

Os tipos e personagens também fazem parte do nosso dia a dia: o comerciante desonesto e explorador, os jovens delinquentes nas suas gangues, o restaurante fast food com sua comida e comportamento padronizado, desprezando a necessidade do cliente para ter mais lucro.

Mas também há o milionário que vive ao lado da miséria, mais preocupado com seu enorme campo de golfe, do que com a vida de qualquer outro ser humano que o cerca.

O trânsito congestionado, obras urbanas desnecessárias, pessoas intolerantes e que somente visam levar vantagem são ingredientes que permeiam a vida de qualquer pessoa que vive em grandes cidades, mas que também já se torna rotina de qualquer cidade no mundo.

A grande questão é quanto tempo e quantas pessoas resistirão a este tipo de pressão? Será que não estamos em uma espécie de fábrica de pessoas emocionalmente instáveis? Produzindo loucos em uma vida sem sentido? Absolutamente ilusória?

Assista ao filme, reflita e compartilhe sua opinião comigo.

Não encontrei o trailer do filme em português, mas há esta que é uma das melhores cenas do filme e que retrata uma situação que certamente já aconteceu com muita gente:

Dica de filme: Corações Perdidos

O que você acha que pode aprender com uma garota de 16 anos, órfã e que trabalha como stripper?

Pois é. Doug (James Gandolfini) e Lois (Melissa Leo) estão em uma espécie de crise existencial depois da morte da única filha em um acidente de carro.

Depois desta tragédia eles vivem uma vida sem graça, com um casamento abalado. Doug tem uma amante e Lois não sai de casa há anos.

De fato, a morte de um filho é uma tristeza que nem nome tem. Não obedece ao ciclo natural da existência.

A forma como cada um enfrenta este fato é que faz a diferença na sua vida. Pode ser que a pessoa entenda ou pode ser que procure fugir através de vários caminhos que a vida apresenta. Silêncio e distância certamente não são os mais indicados. Isso é o que aconteceu com os personagens do filme.

Em uma viagem a outra cidade para participar de uma conferência e lá conhece Mallory (Kristen Stewart), a jovem do primeiro parágrafo.

Decidido a ajudá-la, Doug permanece na cidade e não quer mais voltar para casa, inclusive coloca à venda sua empresa. Esta situação logo provoca estranheza em Lois, que decide sair de casa e ir à procura do marido.

James Gandolfini (de Família Soprano) sempre bem, e chama a atenção a interessante atuação de Kristen Stewart, conhecida e famosa por causa dos filmes Crepúsculo.

Uma bonita história de superação, de reencontro, de compreensão da vida e do viver.

Assista e dê sua opinião.

Veja o trailer:

Dica de filme: Invictus

 

Nesta última semana encerrou uma profícua existência Nelson Mandela, aos 95 anos de idade.

E a dica de filme não poderia deixar de homenagear este homem singular com um drama biográfico: o filme Invictus.

Nelson Mandela (interpretado por Morgan Freeman) foi libertado da prisão depois de 27 anos, em razão da luta contra o regime de separação racial que vigorava em seu país.

Logo depois foi eleito presidente da África do Sul, mas percebeu que 50 anos de ódio racial não iriam ser diluídos facilmente. A guerra civil parecia iminente e inevitável.

De um lado a desconfiança dos brancos de que aquele presidente negro iria aproveitar para se vingar, por parte dos negros um desejo que isso se concretizasse.

Mas ele percebeu que o único caminho seria o do perdão e da superação das diferenças.

Em uma partida do time de rugby de seu país, Mandela percebeu que os negros torciam para o outro time mas não para seu país em razão do preconceito.

Em 1995 quando a África do Sul sediou a copa do mundo de rugby, Mandela percebeu a oportunidade de tentar unificar o país em torno do esporte. Para tanto ele recorreu à ajuda do capitão da equipe François Pienaar, interpretado por Matt Damon, para que ambos fizessem a tentativa de unir o país.

Pienaar não consegue entender como Mandela “poderia passar 30 anos numa cela minúscula, e sai disposto a perdoar as pessoas que o colocam lá”.

Bom, assista ao filme e veja o que aconteceu. É uma história real, emocionante e uma grande lição de vida.

Uma curiosidade, na prisão Mandela lia o poema Invictus, de William Ernest Henley escrito em 1875, o que deu o título ao filme, que pode ser conferido logo abaixo.

Assista e dê sua opinião.

Veja o trailer:

Invictus

Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado a lado
Agradeço aos deuses que existem
por minha alma indomável

Sob as garras cruéis das circunstâncias
eu não tremo e nem me desespero
Sob os duros golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas continua erguida

Mais além deste lugar de lágrimas e ira,
Jazem os horrores da sombra.
Mas a ameaça dos anos,
Me encontra e me encontrará, sem medo.

Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.

William Ernest Henley