Ouro de tolo

materialismo

Há um metal (pirita) que por sua cor amarelo-dourada e brilho recebeu o apelido de ouro dos tolos, devido à confusão com o metal nobre.

Conta-se que no século 19 na América do Norte houve uma busca desenfreada por ouro e espertalhões espalhavam pirita por terrenos distantes para vender estas propriedades como jazidas preciosas, enganando os ignorantes que pensavam enriquecer facilmente.

A genialidade de Raul Seixas compôs Ouro de Tolo, uma canção que pode ser ouvida  abaixo:

A primeira estrofe já dá o tom da decepção:

Eu devia estar contente

Porque eu tenho um emprego

Sou um dito cidadão respeitável

E ganho quatro mil cruzeiros

Por mês…

Toda a canção remete justamente ao pensamento de busca puramente material do nosso tempo. A busca por um padrão de comportamento social, valorizando o ter, o sucesso exterior e a aparência como se o viver pudesse ser orientado tão somente por estes aspectos.

Ter um emprego, comprar um carro, enriquecer, “vencer na vida” são conquistas valiosas na existência humana, mas não podem ser um fim em si mesmo.

São conquistas relativamente fáceis e consistem em um objetivo para muitas pessoas, porém, ao fim e ao cabo desta conquista parece que falta alguma coisa.

As conquistas materiais podem dar uma satisfação, um prazer, mas são incapazes de contentar, verbo utilizado na canção e que é o mais eficaz para transmitir o pensamento de plenitude e apaziguamento da alma.

A vivência puramente material dá realmente esta sensação de busca pelo ouro de tolo: a ansiedade gerada pela procura não guarda correspondência com a satisfação que se obtém na conquista. A sensação é de frustração, porque somos seres espirituais e o mero ter não pode dar satisfação à alma.

Aquele que sabe das coisas já alertou: louco! E se hoje pedirem tua alma? Para quem será as coisas que tem ajuntado? (Lucas 12:20)

As coisas são coisas. Só isso. Para serem usufruídas enquanto estamos nesta viagem corporal que por sua vez é uma ferramenta para atingirmos a plenitude moral e espiritual.

Somos seres espirituais em uma experiência corporal, já disse Teilhard de Chardin, e o bom senso nos impõe observar claramente o que é passageiro e o que é permanente entre a existência física e o espírito imortal, e o que, por consequência, deve ser priorizado nesta avaliação.

 

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