Estudante sou.

Estudante sou. Nada mais. Mau sabedor, fraco jurista, mesquinho advogado, pouco mais sei do que saber estudar, saber como se estuda, e saber que tenho estudado. Nem isso mesmo sei se saberei bem. Mas, do que tenho logrado saber, o melhor devo às manhãs e madrugadas. Rui Barbosa

Em 18 de dezembro de 1996 eu recebi meu diploma de graduação em direito.

Foi um misto de alegria, uma incrível sensação de vitória e uma grande responsabilidade. Sim, porque pobre, filho de pais incultos (trabalhadores mas sem instrução formal) o risco de o diploma ficar apenas dependurado em uma parede é muito grande.

Para quem acha que o mundo começou há seis meses, é muito bom saber que há 20 anos o abismo entre as pessoas que poderiam estudar em um curso superior e os chamados pobres era infinitamente maior.

Aliás, a sensação de superação das dificuldades sempre foi constante, ser aprovado em um concorrido vestibular, superar as médias nas matérias dificílimas (ao menos para mim), e efetivamente entender o que era transmitido.

Escolher um curso que iria se transformar na profissão a ser seguida aos 17 anos não é tarefa fácil, mas no meu caso foi bem intuitivo e hoje percebo que não conseguiria fazer outra coisa na vida.

O direito é uma ciência e a advocacia um sacerdócio, e a sua compreensão me deu outra visão de vida e de perspectiva de vida.

Durante todo o curso o drama de não ter condições de fazer um estágio talvez fosse o mais angustiante. Ver meus colegas falando de processo, de ação, de cliente, etc., e eu sequer tinha visto qualquer um destes na minha vida.

E aí a conclusão do curso e a incerteza do exame da OAB, o qual não representou dificuldade, graças a Deus.

Tem uma sensação pela qual passei e que não sei se outros colegadas também vivenciaram: a de que eu podia ter me dedicado mais á graduação, ao curso.

E depois sim é começaria a verdadeira batalha a de construir uma carreira na advocacia, conquistar clientes, mostrar resultados.

Mas de tudo isso Rui Barbosa tem razão. Mero estudante, fraco jurista, medíocre advogado, mas estudante sempre.

E além disso ouso acrescentar um intenso desejo de ser útil e de servir aos meus semelhantes, e talvez seja isso que me ajude a ser melhor advogado, mais eficaz para as pessoas que me procuram e estudante não só do direito, mas da ciência da vida e do viver.

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2 pensamentos sobre “Estudante sou.

  1. Sábias palavras. Parte de seu caminho de estudante conheci e sou testemunha. Primeiro, graças a Deus e depois pelo seu esforço e dedicação foram determinantes em sua formação. Acredito que tudo isso construiu esse caráter impar que carrega. Parabéns pela escolha, parabéns por enobrecer a classe. Você e mais alguns fazem com que nossa profissão ainda continue digna e muito, sem se sujeitar as mazelas da hipocrisia, da falta de ética e pior da falta de conhecimento, mas ainda assim dizem em alto e bom tom, sou advogado, data vênia.
    Parabéns, continue sempre nessa retidão traçada, que Deus lhe guie e ilumine neste mister.
    Abração.
    Denner

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    • Opa!
      Beleza Deninho. Valeu pelo comentário mano.
      Quanto escrevi visualizava aquele tempo, as nossas lutas, as dificuldades e tudo volta como um filme.
      Obrigado pelas palavras de incentivo.
      Eu sempre repito que tenho os melhores amigos do mundo…hehehe.
      Abração.

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