Receita de Ano Novo – Drummond

feliz-2013Para todos amigos e familiares, muito obrigado por mais um ano de convivência.

Agradeço também aos caros leitores que me honram com a visita neste blog, e atodos desejo um excelente 2013.

Que seja infinitamente melhor que os anos já vividos até o momento.

E para começarmos bem o ano novo, que tal uma receita do nosso ilustre conterrâneo Carlos Drummond de Andrade?Drummond

RECEITA DE ANO NOVO 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido).

Para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior).

Novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo.

Eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.


E lembre-se

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim…” Chico Xavier

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Paternidade e Maternidade

Foto de Divulgação do seriado norte americano Modern Family

Foto de Divulgação do seriado norte americano Modern Family

Vivemos em uma época de mudanças.

Mudanças de conceitos, mudanças de paradigmas.

O que parecia estabelecido como conceito natural de determinada coisa, hoje já não é ponto pacífico.

Há várias interpretações sobre o mesmo fato. Há diversas explicações sobre determinado acontecimento.

Evidentemente que o que pensamos das coisas e instituições sofre a influencia do meio social em que se vive.

Um exemplo marcante é o que pensamos sobre o que seja família.

Família para você é no formato pai-mãe-filhos?

Pois eu acho que você deve repensar os seus conceitos e a forma que enxerga a sociedade em que vive.

Você pode até achar que determinado formato é o ideal ou adequado aos seus valores, mas fechar os olhos para a realidade é que não dá.

É comum família com pais separados, e que os filhos convivem com o namorado/marido da mãe ou namorada/esposa do pai.

Ou mesmo casais do mesmo sexo.

paternidade-socioafetivaAs crianças convivem com irmãos, que são filhos de outros pais e de outras mães. E com outras crianças que vieram de outros relacionamentos do atual companheiro/companheira da mãe ou do pai.

A legislação e o entendimento dos tribunais acolhem estas mudanças, até mesmo porque a lei nada mais é do que o retrato social de uma determinada época.

Mas e quando há um conflito da realidade social e da lei?

Como decidir? Como pensar?

Como resolver um conflito entre a escolha da paternidade biológica e da paternidade afetiva?

A questão ainda não é definida pela jurisprudência.

Mas a tendência sempre foi priorizar a paternidade biológica.

Em razão disso que o famoso exame de DNA tem status de verdade cientifica, uma vez que fornece uma altíssima probabilidade de acerto na determinação genética de paternidade e da maternidade.

Mas e a paternidade ou maternidade afetiva? O convívio social, público e notório, não têm algum valor?

Para um juiz do Rio Grande do Sul tem e muito.

Um pai registrou a filha e depois de 10 anos buscou a justiça para invalidar o registro civil e exonerar-se do pagamento da pensão alimentícia. Alegou que não era o pai biológico.

A defesa da filha alegou que o pai procedeu com o registro espontaneamente, mesmo sabendo que não era sua filha biológica.

A sentença indeferiu o pedido, pois reconheceu a paternidade socioafetiva, porém, ainda cabe recurso. É um tema complexo, polêmico, mas me parece que a solução foi acertada.

É que o vínculo socioafetivo se sobrepõe à chamada verdade biológica.

A lei já contempla a aquisição da paternidade/maternidade pelo pai e filhovínculo afetivo, como ocorre nas adoções.

Fico pensando na situação da criança, que é quem menos responsabilidade tem nesta história e é que está sofrendo o maior prejuízo afetivo e emocional.

Acredito que ainda chegaremos a modelos mais eficazes de solução destes conflitos, mas o que sobra neste caso é irresponsabilidade, egoísmo e interesse acima da solidariedade.

Espero que a sociedade aprenda com estes exemplos, pois paternidade e maternidade em qualquer de suas modalidades e circunstancias, não é uma brincadeira que se pode cansar a qualquer momento.

Para ver a notícia completa, clique no link abaixo.

Vínculo afetivo entre pai e filha vale mais do que exame de DNA, decide juiz gaúcho

 

Não duvide das coisas do amor

CDBook Pequenas histórias de Amor Verdadeiro

Pensando o Natal como deveria realmente ser, imagino que um dia vamos nos saturar da ilusão e viver de fato a mensagem do amor.

Plínio Oliveira

Plínio Oliveira

E para lembrar que o Natal é sempre, gostaria de compartilhar uma história bem bacana que aconteceu com Plínio Oliveira, e o inspirou em uma linda canção.

A história segue transcrita do CDBOOK Pequenas Histórias de Amor Verdadeiro, e logo abaixo a canção em uma apresentação com o Coral Sou da Paz em Catanduva – SP:

Como um Anjo

Era o primeiro dia de aula de música e preparação vocal para jovens e crianças moradores da Vila Torres em Curitiba. O projeto, simples e atraente, consistia em reunir num mesmo grupo artístico alunos da escola patrocinadora, de classe média e em alguns casos média alta, e alunos de classe sociocultural mas baixa, perto da linha da miséria.

Depois de me apresentar pedi que cada participante dissesse o nome e a idade. Dentre eles se destacou um jovem de 16 anos. Lucas, com boa sensibilidade musical e um violão a tiracolo. Havia em seu olhar um certo tom de desconfiança, um ar de ressabiado e um sorriso tímido. A simpatia foi mútua e imediata.

Após as apresentações iniciais convidei os alunos a um instante de meditação e oração, buscando a serenidade e manifestando gratidão diante da vida e da oportunidade de estarmos juntos pelo amor à música.

A aula transcorreu ativa e em paz.

Ao final, Lucas se aproximou:

– Plínio, tem que acreditar em Deus para participar do coro?

Por quê? Você não acredita?

– Não, disse o moço – se Deus existisse não deixava certas coisas acontecerem…

– Mas como você explica o brilho das estrelas, a imensidão do universo, a própria vida? Argumentei.

– Isso a ciência um dia vai explicar. Esse negócio de Deus não é para mim. Tem que acreditar para participar?

-Não, não tem que acreditar em Deus; mas no nosso projeto, você acredita? Acredita que vamos gravar um CD, que vamos cantar juntos, que vamos fazer um show no teatro?

– Isso é o que eu quero ver.

– Então continue vindo às aulas. Eu lhe asseguro que você pode acreditar.

A sua coragem em dizer que se Deus existisse não deixaria certas coisas acontecerem, me fez pensar no que lhe teria acontecido pra sentir tanta mágoa.

Ao chegar em casa pensei que precisava lhe dizer algo mais, e, então, inspirado, compus a canção “Anjo” e logo vi que poderia ser uma bela opção para o repertório do grupo.

De fato, “Anjo” se tornou a melodia mais querida da criançada, dos seus pais e dos amigos do Grupo Vocal da Paz. Sempre que ensaiávamos a canção eu observava o Lucas. Não disse nada a ele em princípio, mas acho que ele sabia que havia feito a música pensando em nossa conversa.

Ao longo do tempo nos aproximamos mais. Numa de nossas visitas às famílias dos participantes cheguei em sua casa.

Uma casinha pequena, mobília mais que simples, pobreza material em tudo. Criado pela avó, ao lado de uma irmã, naquele dia ele preferiu não estar em casa, embora eu soubesse que me queria bem.

Meses se passaram.

Fizemos a gravação das músicas para o CD, tiramos foto para o encarte, ensaiamos para o show. Em dezembro, no teatro Ópera de Arame, cantamos para cerca de mil pessoas e foi muito emocionante. Lucas se destacou como um dos solistas.

“Anjo” foi o ponto alto do show e, antes de catarmos a música, contei para o público a história da canção. Seus olhos brilharam, pois sabia que eu falava dele, mesmo sem citar o nome.

Ao término do show os cantores formaram uma roda em torno de mim e se abraçaram uns aos outros. Eu puxei Lucas para também o abraçar. Sua timidez sempre o fazia não corresponder plenamente aos meus abraços, mas dessa vez ele me segurou com força e emoção. Seus olhos estavam úmidos e os meus também.

– E então, agora você acredita em Deus?

Ele secou os olhos e disse:

– Não… – E, parafraseando a canção, concluiu: – mas já não duvido das coisas do amor!

Eu tive vontade de lhe dizer que eu também não acredito num Deus personalizado, tipo super-humano, cuidando do mundo como um jardineiro. Essa é uma percepção poética de Deus e até tem seu lado verdadeiro, porém Deus é muito mais que isso.

Mas há coisas que não precisam ser ditas para serem compreendidas.

Na verdade, ao ouvir o Lucas dizer que já não duvidava das coisas do amor, tive uma das minhas experiências mais intensas com o divino.

O amor é o verdadeiro caminho para Deus.

Pode também ouvir aqui.

Anjo (Plínio Oliveira)

Não tenho asas, nem laurel
Nem nunca vi um anjo do céu
Não creio em búzios, nem tarô
Mas não duvido
Das coisas do amor

Por isso eu lhe digo
Conte comigo
Ainda que eu fosse ateu

Não sou tão à toa
A vida é tão boa
Acredito em você e eu

Eu também posso ser
Como um anjo
Protegendo você
Como um anjo


Se você tem o hábito de presentear alguém no Natal, uma ótima dica é a obra de Plínio Oliveira que pode ser encontrada aqui.

E o mundo não se acabou…

E o mundo não se acabou

Com esta  história do fim do mundo me lembrei de um samba do Assis Valente, cantado pela Carmem Miranda, com o título deste post.

Segue abaixo um vídeo com música interpretada por Paula Toller (com a letra levemente adaptada) e a letra da música original.

Você que está fazendo besteira confiando no fim do mundo, cuidado! hehehehe

O Mundo Não Se Acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou
Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou

Clique aqui para ouvir a versão com a Carmem Miranda.