Síndrome de Estocolmo na Política

Li o excelente artigo do jornalista Daniel Polcaro no jornal de Passos, Folha da Manhã, e compartilho para maiores reflexões.

Ele fez uma excelente analogia sobre a Síndrome de Estocolmo (vejo o que é aqui) e a relação do povo brasileiro com políticos.

Síndrome de Estocolmo

Por Daniel Polcaro

Um produto é comercializado dia 7 de outubro: a sua confiança, a sua capacidade de crer no próximo, a sua vontade de ver melhorar o lugar que vive. O voto é apenas uma forma representativa.

Assim como a televisão não vende polegadas ou peças – e sim conteúdo audiovisual —, não é o voto que é comercializado, é sua participação na decisão em conjunto com a comunidade, que aponta nomes majoritários para comandar a cidade.

Acreditemos sim em homens e mulheres que possam transformar, mudar esse cenário político nacional impregnado de sujeira. Acreditemos em quem doa sua honestidade, até então somente como cidadão, para a administração daquilo que, teoricamente, é de todos. Acreditemos em figuras que apesar de uma campanha visual modesta, esteve ao lado do vizinho e sempre ajudou seu bairro sem nenhum interesse.

A degradação da política – que atinge todos os partidos de uma forma avassaladora – será alterada aos poucos: porque o mal voltar para o lado do bem demora cem vezes o tempo que o bem gastou para ir para o outro lado. O processo é longo, mas vai acontecer. O importante é começar.

Este texto não faz campanha e não critica qualquer candidato. Apenas visa lembrar o sequestro da Coisa Pública por verdadeiros criminosos, trajados de políticos, quando a função de um agente público seria estar empenhado para usar da melhor maneira possível o dinheiro comunitário, prestando contas reais.

O que se vê eleição pós eleição no Brasil é a Síndrome de Estocolmo da política. A afeição criada por criminosos que nada diferem de traficantes de drogas e assaltantes de banco fazem de cada habitante um refém, que tenta se libertar a cada quatro anos, mas que a maioria (quiçá ludibriada pela cosmética audiovisual da campanha) se encarrega de colocar de volta. A defesa de quem praticou o mal (sob o eufemismo do ‘rouba, mas faz’) representa a incapacidade de encontrar outro candidato, que consegue fazer sem ter a outra ‘qualidade’ embutida.

Se o povo merece o governo que tem, a maioria está correta e seria totalmente errônea essa colocação de que ladrões voltam ao poder. Mas a Síndrome de Estocolmo – expressão de Nils Bejerot, criminólogo e psicólogo, criada durante assalto de cinco dias, em 1973, na capital da Suécia — explica.

Como forma de defesa, as vítimas tentam se identificar com os sequestradores com medo de sofrer retaliações. E gestos singelos (como dar um prato de comida no cativeiro) é totalmente amplificado, causando uma afeição por quem na verdade está praticando o mal.
Nós merecemos mais do que gestos singelos.

DANIEL POLCARO PEREIRA, jornalista, é editor do Clic Folha (polcaro@folhadamanha.com.br)

Também é blogueiro. Aqui.

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